sábado, 2 de novembro de 2013

Chama ao redor da neve.



 Era fim de tarde. O aclamado por do sol já se aproximava e, junto a ele, a sensação também. Aquela sensação que aperta o peito e precisa ser expressa num papel em branco sem vida. Uma semana pode ser levada de várias formas, mas tivera uma semana peculiar. Interminável e caótica, angustiante. Sabia que seu silêncio uma hora o levaria à loucura exposta em palavras, como sempre fazia. A perturbação sobre cobranças pessoais e sonhos era devastadora e, em alguns momentos, permanente.

 O que mais poderia acontecer naquele momento? O automático. Sim, após o sofrimento, sentia-se automático. Leve, sereno, gostava de exacerbar a felicidade temporária através de sorrisos que lhe doíam até a alma. De repente, a vida voltava em seu peito e, como numa chama ao redor da neve, se esvaecia em frações de segundo.

 O que daria certo, então, para o pensador citado? Suas buscas ao conhecimento eram constantes, ainda que o cansaço o obrigasse a pensar em desistir, sempre buscava a fajuta harmonia em sua rotina. A rotina acabada.

 Um erro aqui e ali era destruidor e hermético. Acabava com suas metas e planejamentos que sabia que não conseguiria cumpri-las, apesar de admirar a disciplina que levava para coisas mínimas e talvez relevantes. As incertezas sobre seu caminho era de tirar o fôlego e, por vezes, desesperadora. Eu sei. O acompanhava nessa jornada, mas não podia intervir para auxiliar e aconselhar, já que eu era uma órbita impessoal em seu dialeto.

 Enfim, novamente suas perspectivas sobre a vida insistiam em bater na porta de uma forma rude e sem permissão. Sabia que alguma coisa estava errada e precisava ser mudada urgentemente, sua estrada era morta a partir do momento em que desistira de seus sonhos, os substituindo por objetivos. Mas, de que final vale? Qual o ponto, a razão e benefício se, de tantas tentativas falhas e errôneas como fuga de seu sonho, o trazia mais angústia e melancolia?