quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Sensações
O vento bateu,
a esperança encolheu
Nosso corpo fugiu no breu
Mal sabem o sol e o horizonte
Cruzando com você ao meu lado esta ponte,
nada mais é pesado
Minha armadura cai e meus pecados são deixados
Nossa alegria de verão é assim
Cinza como o frio gélido de marfim,
em frente a uma lareira quente
Sentimos a veia pulsar no calor ardente.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Man
domingo, 1 de julho de 2012
Te cuida
terça-feira, 29 de maio de 2012
Verdade e Poder - Michael Foucault (Microfísica do Poder - Resenha)
Hora de Voltar
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Um trecho de "Jardins" - Rubem Alves
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Alguns
Pequeno cansaço
Sinto-me indisposto
Seja para andar ou sentir
Sinto-me apagado
Só pelo fato de não conseguir sorrir
São cinco e meia
Vejo o sol clarear
Machuca meus olhos
Queima minha alma
Meu corpo começa a fraquejar
Sinto-me exausto.
Tiros
Direciona-se com uma flecha
Certeira, desenfreada e profunda
Carregada de ternura, inteligência e apatia
Solidão e aflição. Incoerente e inquieto
Por que me abandona?
No fluxo do anoitecer; vem dançar
Que a sua mão eu já não sinto
Sob suas mentiras e suscintos
Tornei-me fortaleza;
Não me venha com essa de frieza.
Rest n' Glory
This sensation which drags you into a deep and unfound feeling that may suffocate ‘til you feel your bones collapsing into a dash and tough rain involving all kind of experiences that you lived, that you’d live.
This sensation crashes your mind between freak vibrations which pushes you to the edge, so you pull so many memories while thoughts are spinning in your head when your shoes are the wrong one.
And then you start to cogitate why are you here if you smell and feels like nothing in an army, unable to purpose some space in all whole world. It feels like you loved too much. You expected too much and day by day it’s getting closer to something you don’t know, something heavy – but you don’t deserve it. You’re collapsing, wanting so badly to sleep and rest; but you can’t close your eyes without feeling this tearing pain, and your endless suffer.
This sensation brings you closely to run, to get away from people – oh you need a break. So you expect this won’t last forever, but you’re hopeless. Dancing through the mistakes of everyone. You look to the mirror and you see nothing but loneliness, expecting that someone comes around your neck and tells you that everything will be okay, so you note that your cup of coffee it’s getting to an end, so as you burning in the edge, catching what you really needed – a rest. Your hands hurt ‘cause you’re writing too much in another language just ‘cause you feel better in that way. And you’re walking and writing – you just can’t stop – you can’t avoid that, you need to put it out. People are staring at you, I’m watching you. I see you desperate, I see you all from the inside.
You’re crossing the street seeing those people walking over and over, so you run. Yes, you’re feeling right on top wearing a crown becoming close to who you are. You’re getting free from everything – you arrived home; got your existence point of glory as a wave comes to the end of the beach. You arrived home once – you’re dead. Useless smart brain, you’ve turned it off.
domingo, 25 de março de 2012
Dois
sexta-feira, 9 de março de 2012
Words
Lord, I see so much sadness on me
And I’m not proud
Why does you do that to me?
When I’m just trying to find something to catch
Isn’t it all about, Lord?
We are all dancing around the crap, insane and pure guilty of the world
I look to my picture on my wall
And I was a little baby, so empty
I haven’t so much to offer but thoughts
And I see emptiness on me
That picture, Lord – was empty
But I’ve helped so many people
Do I draw ‘em future? Do I drain this on me?
I’m talking to you, I’m talking to myself
Stop thinking, go try to love someone again
Maybe that’s the answer for me to sleep
I can’t handle one more cup of coffee even when I love it
Mama, I’m sorry for being weak
But I feel this closing in
And I felt like a genius yesterday
But today it only collapses
I don’t know anymore
I’m pleasured for everyone that I made ‘em laugh
So they didn’t know about this pain
For being heavy and empty at the same time
I should call not one but twice at a day to you, grandma – ‘cos I love you
That’s so comfortable
I’ll always smile to you, I’ll always avoid you to see me sad
Sadly side, heavy size
Slowly
Disappear.
domingo, 4 de março de 2012
Oito e Oitenta
Da sacada que bate a brisa fria da cidade megalômana havia uma mulher que fazia reflexões entre sua mente e o coração. Ela, apaixonada, sentia um pêndulo entre o destino e o passado, aberturas e espinhos. Ela possuía dificuldades em engolir as farpas da sua paixão e, por isso, estagnava-se em sólidas rochas.
Muitas vezes achava um exagero, mas ela sabia que era necessário analisar. Só não sabia até quando deveria se manter nesta envolvente intensidade de um turbilhão de pensamentos. Sabia também que seria um erro começar, mas também sabia que seria errôneo não arriscar. Por quê? Ninguém sabe. Quem a observa vê sua expressão delicada e analítica, talvez oscilando entre o usado e o amado. Entre mais uma de uma fila passada, querendo não ser uma rosa amassada ou uma passagem criada.
A paixão dela é intrigante. Ao mesmo tempo se mostra a criatura mais pura e singela do Universo, mas às vezes sente o seu passado no ambiente ao redor. Na expressão que ela usa, no toque que ela exerce. Sabe que a paixão tem sonhos, ambições e objetivos, sabe o que ela procura e consegue enchê-la de alegria e lágrimas ao mesmo tempo.
Esta paixão a deixou abismada por possuírem histórias tão parecidas e ela sempre sentir que alguém especial e de coração enorme entre na vida dela para ser salva. E ela cogita tanto a razão pela qual isso acontece. Qual a explicação para sempre usar suas asas e salvar a alma mais simplória?
A certeza vem juntamente com as correntes do passado e se torna uma neblina ofuscada, onde se mistura tristeza e felicidade. Ela gostaria de sentir a felicidade, assim como sua paixão. Ela também sabe que quando os dois corpos e corações se juntam no calor da ternura, isso já não importa mais. Não importa mais nada, não há desavenças e nem controvérsias, mas há correntes. Há correntes que a tomam pela mente e envolvem seu coração que desesperadamente implora para ser aberto por completo, ela não sabe oscilar entre o sim e o não. A paixão a faz ser oito e oitenta.
Ela ouve gritos dela pedindo, por favor, que deixe o passado morto, mas ao mesmo tempo suas asas são oprimidas pelo museu de indiferença do passado. E então ela quer sumir, ficar quieto para apagar o zero e ficar oito ou talvez acrescentá-lo para tornar oitenta. O seu peito suplica para que seja aberto e esteja totalmente desarmado para sua paixão entrar. Assim, ambos podem desfrutar da vida e viver intensamente, ambos podem carregar os sonhos e somá-los, transformá-los e abandonar todo este dilema. Ambos chegam perto, com lágrimas no rosto. Cria-se um diálogo rápido.
Posso pegar na sua mão?
- Sim, mas vai me deixar confusa e pensativa.
Posso te abraçar apertado?
- Sim, mas vai doer quando você me soltar.
.. e vai me machucar quando algum fato relembrar seus quadros de arte negativos.
(...) Que tortura. Daqui de cima vejo a asa e o coração dos personagens e também vejo seus olhos secos de tanto procurar lágrimas onde já não há mais. (...)
Muitas vezes achava um exagero, mas ela sabia que era necessário analisar. Só não sabia até quando deveria se manter nesta envolvente intensidade de um turbilhão de pensamentos. Sabia também que seria um erro começar, mas também sabia que seria errôneo não arriscar. Por quê? Ninguém sabe. Quem a observa vê sua expressão delicada e analítica, talvez oscilando entre o usado e o amado. Entre mais uma de uma fila passada, querendo não ser uma rosa amassada ou uma passagem criada.
A paixão dela é intrigante. Ao mesmo tempo se mostra a criatura mais pura e singela do Universo, mas às vezes sente o seu passado no ambiente ao redor. Na expressão que ela usa, no toque que ela exerce. Sabe que a paixão tem sonhos, ambições e objetivos, sabe o que ela procura e consegue enchê-la de alegria e lágrimas ao mesmo tempo.
Esta paixão a deixou abismada por possuírem histórias tão parecidas e ela sempre sentir que alguém especial e de coração enorme entre na vida dela para ser salva. E ela cogita tanto a razão pela qual isso acontece. Qual a explicação para sempre usar suas asas e salvar a alma mais simplória?
A certeza vem juntamente com as correntes do passado e se torna uma neblina ofuscada, onde se mistura tristeza e felicidade. Ela gostaria de sentir a felicidade, assim como sua paixão. Ela também sabe que quando os dois corpos e corações se juntam no calor da ternura, isso já não importa mais. Não importa mais nada, não há desavenças e nem controvérsias, mas há correntes. Há correntes que a tomam pela mente e envolvem seu coração que desesperadamente implora para ser aberto por completo, ela não sabe oscilar entre o sim e o não. A paixão a faz ser oito e oitenta.
Ela ouve gritos dela pedindo, por favor, que deixe o passado morto, mas ao mesmo tempo suas asas são oprimidas pelo museu de indiferença do passado. E então ela quer sumir, ficar quieto para apagar o zero e ficar oito ou talvez acrescentá-lo para tornar oitenta. O seu peito suplica para que seja aberto e esteja totalmente desarmado para sua paixão entrar. Assim, ambos podem desfrutar da vida e viver intensamente, ambos podem carregar os sonhos e somá-los, transformá-los e abandonar todo este dilema. Ambos chegam perto, com lágrimas no rosto. Cria-se um diálogo rápido.
Posso pegar na sua mão?
- Sim, mas vai me deixar confusa e pensativa.
Posso te abraçar apertado?
- Sim, mas vai doer quando você me soltar.
.. e vai me machucar quando algum fato relembrar seus quadros de arte negativos.
(...) Que tortura. Daqui de cima vejo a asa e o coração dos personagens e também vejo seus olhos secos de tanto procurar lágrimas onde já não há mais. (...)
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Marionetes e Música
Britolfo. Era assim que o viam e era assim que nascera – estranho, deslocado e cansado. Tão cansado que nascera com uma peculiaridade de não chorar quando veio ao admirável mundo novo. Pensavam os tolos que a desencaixada criança estava morta, engano. Era viva, tão intensa na sua forma que observava cada gesto e tomava cada aprendizado como incentivo para brilhar em tanto conhecimento.
Já crescida, comia livros. Estudava de literatura até filosofia. De arte até psicologia e suas ênfases antropológicas e etimológicas. Era inteligente, conseguia passar coisas absorvidas em longas noites mal dormidas até quando permanecia quieto.
No meio social, era tonto; fingia-se. Procurava ocultar seu conhecimento para não entediar as outras pessoas, então se tornava a massa tediosa, voltando a sentir-se como no nascimento; cansado. Brito achava que se estudasse grandes obras de revolucionários e pensadores poderia entender o porquê do cansaço sobre a humanidade. Viu que era tudo igual, previsível. Por mais mistério ou abertura que um grupo ou indivíduo tivesse, seria tudo igual – com o mesmo fim.
Como se trata de uma breve e cômica história, Brito neste parágrafo já estava grande. Já morava sozinho, trabalhava e vivera grandes amores, grandes viagens. Claro, com o dobro de conhecimento e, agora, sabedoria. Neste espaço entre a vida e a morte, Britolfo resolveu sair para dançar em um dia exclusivamente agitado, ou pelo menos ele o julgava assim. Colocou uma roupa básica, mas elegante. Sempre com seu jeito estranho e sério – seus óculos estavam tortos e sua carteira era furada.
Nada iria abater aquele sentimento de liberdade engendrada sobre outras gaiolas em paradigmas impostos pelo ambiente proposto. Brito sentia-se alegre, procurou um local para beber e posteriormente dançar, pois já sabe que muito não vai encontrar nestas redondezas, além de luzes e maquetes. Seu conhecimento e bagagem sofisticada de nada mais valiam naquela noite.
Brito era sozinho, de poucos amigos. Mas os poucos que tinha chamavam-os de irmão, por isso nesse dia foi com seu melhor amigo. Davam-se muito bem, pois riam das obviedades dessas ocasiões, riam daquela casualidade, mas também lamentavam por tanta mesmice.
Entraram para dançar. A selva estava cheia, repleta de pessoas que também se desligaram do mundo. Desligaram suas preocupações, seus encantos e argumentos. Brito e seu amigo sabiam disso. Por isso dançavam em volta de marionetes. Marionetes vagas que podem ser vistas no trabalho, no teatro ou no cinema.
Dançavam e abraçavam-se, conversavam na pista fora de hora. Saíam para olharem-se e agradeciam um ao outro pela companhia. Mas cansavam-se. As marionetes tornavam-se fumaça quando as luzes pararam de piscar. Todos iam embora e, por sua vez, Brito sentia-se cansado. Lembrou que não importa o lugar, no final sempre se sentia cansado. Cansado de estar entre marionetes, talvez cansado daquela luz, da bebida. Dos teatros e cinema, embora adorasse. Lembrou também que se sentia entediado e cansado sobre quase tudo, menos escrever. Relembrou de todos os cansaços que já sentia, de todas as promessas que ouvira e sabia que seriam só palavras de atos previsíveis, surpreender-se-ia senão fossem falsos.
O que há de errado em cansar-se com o final, se teremos um novo começo, Britolfo?
Então olhou para seu amigo e sorriu. Colocou a mão sob seu ombro e foram para casa, sabendo que a cada passo seria uma volta e meia pelas marionetes.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Holanda fará eutanásia em domicílio. Por aqui, aliviar a dor é crime
A Indiferença
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Eu te amo.. Não diz tudo.
Você sabe que é amado(a) porque lhe disseram isso?
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,
Que zela pela sua felicidade,
Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,
Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas,
E que dá uma sacudida quando for preciso.
Ser amado é ver que ele(a) lembra de coisas que você contou dois anos atrás,
É ver como ele(a) fica triste quando você está triste,
E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água.
Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.
Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.
Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
Sem inventar um personagem para a relação,
Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.
Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;
Quem não levanta a voz, mas fala;
Quem não concorda, mas escuta.
Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Um trecho de "Cosmos" por Carl Sagan
Um dia, uma criatura tridimensional, com a forma de uma maçã, por exemplo, chegou à Terra dos Planos e andou a esmo por lá. Observando um quadrado particularmente atraente e bem proporcionado, entrando em sua casa plana, a maçã decide, em um gesto de amizade interdimensional, dizer “olá”. “Como vai você?” pergunta o visitante da terceira dimensão. “Eu sou um visitante da terceira dimensão”. O infeliz quadrado olha à volta de sua casa e não vê ninguém. Ainda pior, para ele, parece que o cumprimento, vindo de cima, está emanando do seu próprio corpo plano, uma voz do interior. Uma pequena insanidade, talvez ele pense corajosamente, e corre para sua família.
Exasperada por estar sendo julgada uma aberração psicológica, a maçã desce à Terra dos Planos, somente em parte; pode ser visto somente um corte, somente os pontos de contato com a superfície plana da Terra dos Planos. Uma maçã escorregando na Terra dos Planos apareceria primeiro como um ponto e então progressivamente maior, quase que em fatias circulares. O quadrado vê um ponto parecendo em um quarto fechado em seu mundo bidimensional e lentamente crescer transformando-se quase em um círculo. Uma criatura de forma estranha e mutável surgiu de algum lugar.
Rejeitada, infeliz com a obtusidade dos muitos plano, a maçã bate com força no quadrado e o levanta, vibrando e girando nesta misteriosa terceira dimensão. A princípio o quadrado não consegue entender o que está acontecendo: está totalmente fora da sua experiência. Eventualmente ele se conscientiza que está vendo a Terra dos Planos de um local vantajoso peculiar: “acima”. Pode ver dentro de quartos fechados e dentro de seus companheiros planos. Está vendo seu universo de uma única e devastador perspectiva. Viajar através de uma outra dimensão proporciona, como um benefício incidental, um tipo de visão de raios X. Eventualmente, como uma folha que cai, nosso quadrado lentamente desce para a superfície. Do ponto de vista dos seus companheiros da Terra do s Planos, ele desapareceu de modo inexplicável de um quarto fechado, e então materializou-se, aflito, em algum outro lugar. “Pelo amor de Deus”, dizem eles, “o que aconteceu com você?” “Penso”, descobriu-se dizendo, “que estava acima”. Eles dão pancadinhas em seus lados e o confortam. As desilusões sempre aconteceram na família. (…)
Poderá haver uma quarta dimensão física?”
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Quando você envelhece (...)
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
O interior de um Arquipélago composto por um turbilhão de pressentimentos e pensamentos
Estou num daqueles momentos de reflexão sobre tudo que me encaixa neste ciclo de inúmeras atitudes. Revejo pontos em que errei, agi impulsivamente, desesperadamente procurando um motivo estável o suficiente para me sentir bem, para fugir de respostas que eu já tinha em mãos.
Os gregos costumavam dizer que não magoar alguém é uma tarefa impossível, principalmente se você pretende manter toda sua conjuntura estrutural de pé. Seja racional ou emocionalmente falando.
Em certo período andei frio e distante, custando-me algum tempo sozinho para perceber que justamente como qualquer lado negativo de qualquer outra pessoa, eu também o possuo. E para ser totalmente sincero, fiquei feliz em saber que nenhuma parte em mim está morta, mesmo que negativamente; percebi que os que eu conto ao meu lado podem se adaptar ao meu jeito, assim como eu faria com eles.
O que me incomoda é o meu lado positivo. Está opaco, pouco regado. Antes eu conseguia mantê-lo por muito tempo, mas esta cidade o pressiona muito. Talvez meu outro lado partindo de milhões de outras partes tornou-se mais camuflados para tentar manter-se no aço desta cidade.
Sim, caros, esta cidade mesmo; a dos sonhos. A tão cidade mencionada por tantos, almejada por muitos e propriamente falando, sonhada por todos. Não os culpo, afinal, esta cidade oferece possibilidades de crescimento e oportunidades exclusivas que talvez outras não proporcionassem. Mas este é o ponto, já não falando de mim e sim de todas as pessoas englobam crescer com camuflagem, tornam-se multicoloridas, o que não é ruim quando a ambição está longe. Pessoas de essência vêm para cidade com um objetivo, mas acabam se perdendo.
De repente é uma selva de quem se torna mais forte ou não. Inteligência virou sinônimo de ser evasivo e escorregadio. Afetos se perdem, ficam em stand by. Subitamente, percebo cada vez mais que aspectos como lucro, luxúria e frieza tornam-se potências para sobreviver neste ambiente.
Quanto mais o tempo passa, percebo também que meu lugar não é aqui. Inviavelmente acabo pegando um pouco deste comportamento selvagem. Ando lutando para não me envolver mais do que o necessário e fico feliz de sempre conseguir coletar somente o mínimo que esta megalópole exige.
Sei que é preciso algumas vezes um tempo sozinho. Mas as pessoas estão acostumadas a lidar com pressão excessiva, desilusões e individualidade, o que consequentemente as torna mais competitivas. Um abraço não é mais um abraço, é uma chance de conseguir algo ou deixar algo bem para voltar às atividades e metas. Esta cidade me deixa sempre na defensiva; desconfiando se alguém ainda não distorceu o sentido de honestidade e humanidade.
Eu não pertenço aqui. Quero um lugar mais calmo, onde eu possa mostrar sempre minha positividade sem esse medo da dor. Onde eu possa refletir mais, sorrir e me encantar com o simples. Andar na areia satisfeito com a vida que levo. Não sei se isto envolve ser forte ou não, mas talvez seja uma questão de ultra-sensibilidade ou na vista de várias pessoas; drama. Só sei que não suporto o jeito das pessoas se enterrarem. Pessoas que conheci de um jeito e que tinham a percepção de jamais se perderem como muitos nesta cidade. Mas hoje já estão quase camuflados, querendo ou não. Me irrita também o fato de eu também achar jeitos para me camuflar – o que me torna mais triste, solitário ou apático – mesmo que em uma fração.
Na medida em que vou escrevendo sinto-me mais humano. Começo a lembrar do meu sorriso e de como eu gostava de fazer os outros rirem. De como as pessoas se sentiam muito bem ao meu lado.
Duas conclusões podem ser feitas; sou totalmente nostálgico e humano escrevendo. Não aceito desligar meu cérebro e navegar junto com todos os marinheiros monótonos. Isto não pode me bastar, me prejudicar. Mas é uma batalha árdua e com uma pitada do meu dom para novela mexicana, torna-se mais complexo.
Como gosto de perguntas reflexivas, termino o texto com esta aos meus queridos leitores: Estamos nos camuflando demais vivendo uma vida complicada ou exageramos tornando-a mais complicada do que realmente aparenta?
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Somewhere Someone is Thinking of You
Uma leve reflexão sobre "Exercer serviços sociais com ambições financeiras"
A sociedade desde sua etimologia está correlacionada a serviços judiciais, pessoais, tributários, legislativos e federais. Até a associação sobre ética e moral foi devidamente encaixada na função de exercer um “papel” na sociedade.
Com tudo, somos criados para ocupar um espaço proliferado sob medidas antagônicas ao que realmente queremos. Uma criança contemporânea está afundada sob meios tecnológicos e isentas de ramificações pessoais aspirantes. Ocupar um lugar na sociedade e alcançar estabilidade senão poder tornou-se algo indubitável.
Campanhas por modificações sociais e protestos contra a óbvia injustiça de todos os setores trabalhistas (Primário, Secundário e Terciário) já não alcançam tanto prestígio como há tempos atrás. A sociedade atual assimila “serviço” e “social” moral aos aspectos financeiros e superficiais.
As pessoas não querem mais cogitar o que está errado ou evidentemente paradoxal e aceitam a forma absurdamente exploratória que gira em torno de capital lucrativo do qual o grande porcentual de poder executivo estabelece. Esquecem-se do que abrange realmente exercer um serviço na sociedade, o que fatalmente torna-se um limite de pena. Também se esquecem que grandes mentes com espírito dimensional e visionário um dia moveram exércitos e progressões sociais para o bem desta degradável sociedade.