Era fim de tarde. O aclamado por do sol já se aproximava e,
junto a ele, a sensação também. Aquela sensação que aperta o peito e precisa
ser expressa num papel em branco sem vida. Uma semana pode ser levada de várias
formas, mas tivera uma semana peculiar. Interminável e caótica, angustiante.
Sabia que seu silêncio uma hora o levaria à loucura exposta em palavras, como
sempre fazia. A perturbação sobre cobranças pessoais e sonhos era devastadora
e, em alguns momentos, permanente.
O que mais poderia
acontecer naquele momento? O automático. Sim, após o sofrimento, sentia-se
automático. Leve, sereno, gostava de exacerbar a felicidade temporária através
de sorrisos que lhe doíam até a alma. De repente, a vida voltava em seu peito
e, como numa chama ao redor da neve, se esvaecia em frações de segundo.
O que daria certo,
então, para o pensador citado? Suas buscas ao conhecimento eram constantes,
ainda que o cansaço o obrigasse a pensar em desistir, sempre buscava a fajuta
harmonia em sua rotina. A rotina acabada.
Um erro aqui e ali
era destruidor e hermético. Acabava com suas metas e planejamentos que sabia
que não conseguiria cumpri-las, apesar de admirar a disciplina que levava para
coisas mínimas e talvez relevantes. As incertezas sobre seu caminho era de
tirar o fôlego e, por vezes, desesperadora. Eu sei. O acompanhava nessa
jornada, mas não podia intervir para auxiliar e aconselhar, já que eu era uma
órbita impessoal em seu dialeto.
Enfim, novamente suas
perspectivas sobre a vida insistiam em bater na porta de uma forma rude e sem
permissão. Sabia que alguma coisa estava errada e precisava ser mudada urgentemente,
sua estrada era morta a partir do momento em que desistira de seus sonhos, os
substituindo por objetivos. Mas, de que final vale? Qual o ponto, a razão e
benefício se, de tantas tentativas falhas e errôneas como fuga de seu sonho, o
trazia mais angústia e melancolia?
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