O descarte se tornou um medo pra mim
Confesso, sinto-me inseguro
Agarro com aversão o esporádico
E de repente jogos de casualidade humana me irritam
À medida que cresço, observo
Analiso, me fecho
Qual o intuído de engolir livros sem viver o suficiente?
Qual a experiência de viver só com a teoria?
Não me julgo diferente, mas sei que a melancolia faz parte de mim
Explicações rodeiam minha cabeça para cessar o porquê o mundo me trouxe assim
A evolução serve de mais proximidade ao exato
Nego-me a divindade justamente por todos serem inerentes conjunturalmente ao casual
Transformo-te em paradigmas e dogmas prontos
Mas estou eu em um dos meus que criei?
O que me torno pensando e analisando tão criticamente?
Ganho noites de insônia e uma nova pesquisa de páginas para expandir-me
E ao mesmo tempo acho tudo tão desnecessário
Dedico asas da racionalidade e sinto meu emocional virar neblina
Quando acho que estou pronto para enfrentar esta numerosa batalha
Fragilmente me vejo juntando pedaços de mim retalhados com navalha
Fecho-me na mais árdua solidão, tenho meus momentos
Todos têm, mas não é um hábito
Pare de pensar
Por uma noite, pare de cogitar
Sonhe como antes, mesmo que seja difícil
Ora oscilo entre a inocência e a mente analítica
Perco-me em mim: Para onde devo ir?
Há tantas ramificações dentro do meu ser
Perco-me em tantos assuntos que gostaria de compartilhar
Minha mente não para de criar ideias, vislumbres e epopéias
Barreiras criadas e deformadas
Estes versos certamente declaram fraquezas e dúvidas
Os propícios de meus ideais se fixaram como aço
Em cada situação de perigo eu os mantenho
Qual o intuito? Não digo que vou largá-los
Nem modificá-los
A verdade, na realidade
É que eu ramifico tudo e, no final, volto à mesa com meus livros e frustração
Diga-me como devo te entender, há apenas um entendimento para cada ser humano?
Não somos nós os conceituadamente grandes? Que controvérsia
Somos tão pequenos, não somos reis de nada
A única coisa imensa que enxergo em cada um são suas mutações inaptas
Que adaptação incrível temos em nos tornar melhor ou pior
Da hipocrisia à pureza
Honestidade à feiúra
Degradável à beleza