Estou num daqueles momentos de reflexão sobre tudo que me encaixa neste ciclo de inúmeras atitudes. Revejo pontos em que errei, agi impulsivamente, desesperadamente procurando um motivo estável o suficiente para me sentir bem, para fugir de respostas que eu já tinha em mãos.
Os gregos costumavam dizer que não magoar alguém é uma tarefa impossível, principalmente se você pretende manter toda sua conjuntura estrutural de pé. Seja racional ou emocionalmente falando.
Em certo período andei frio e distante, custando-me algum tempo sozinho para perceber que justamente como qualquer lado negativo de qualquer outra pessoa, eu também o possuo. E para ser totalmente sincero, fiquei feliz em saber que nenhuma parte em mim está morta, mesmo que negativamente; percebi que os que eu conto ao meu lado podem se adaptar ao meu jeito, assim como eu faria com eles.
O que me incomoda é o meu lado positivo. Está opaco, pouco regado. Antes eu conseguia mantê-lo por muito tempo, mas esta cidade o pressiona muito. Talvez meu outro lado partindo de milhões de outras partes tornou-se mais camuflados para tentar manter-se no aço desta cidade.
Sim, caros, esta cidade mesmo; a dos sonhos. A tão cidade mencionada por tantos, almejada por muitos e propriamente falando, sonhada por todos. Não os culpo, afinal, esta cidade oferece possibilidades de crescimento e oportunidades exclusivas que talvez outras não proporcionassem. Mas este é o ponto, já não falando de mim e sim de todas as pessoas englobam crescer com camuflagem, tornam-se multicoloridas, o que não é ruim quando a ambição está longe. Pessoas de essência vêm para cidade com um objetivo, mas acabam se perdendo.
De repente é uma selva de quem se torna mais forte ou não. Inteligência virou sinônimo de ser evasivo e escorregadio. Afetos se perdem, ficam em stand by. Subitamente, percebo cada vez mais que aspectos como lucro, luxúria e frieza tornam-se potências para sobreviver neste ambiente.
Quanto mais o tempo passa, percebo também que meu lugar não é aqui. Inviavelmente acabo pegando um pouco deste comportamento selvagem. Ando lutando para não me envolver mais do que o necessário e fico feliz de sempre conseguir coletar somente o mínimo que esta megalópole exige.
Sei que é preciso algumas vezes um tempo sozinho. Mas as pessoas estão acostumadas a lidar com pressão excessiva, desilusões e individualidade, o que consequentemente as torna mais competitivas. Um abraço não é mais um abraço, é uma chance de conseguir algo ou deixar algo bem para voltar às atividades e metas. Esta cidade me deixa sempre na defensiva; desconfiando se alguém ainda não distorceu o sentido de honestidade e humanidade.
Eu não pertenço aqui. Quero um lugar mais calmo, onde eu possa mostrar sempre minha positividade sem esse medo da dor. Onde eu possa refletir mais, sorrir e me encantar com o simples. Andar na areia satisfeito com a vida que levo. Não sei se isto envolve ser forte ou não, mas talvez seja uma questão de ultra-sensibilidade ou na vista de várias pessoas; drama. Só sei que não suporto o jeito das pessoas se enterrarem. Pessoas que conheci de um jeito e que tinham a percepção de jamais se perderem como muitos nesta cidade. Mas hoje já estão quase camuflados, querendo ou não. Me irrita também o fato de eu também achar jeitos para me camuflar – o que me torna mais triste, solitário ou apático – mesmo que em uma fração.
Na medida em que vou escrevendo sinto-me mais humano. Começo a lembrar do meu sorriso e de como eu gostava de fazer os outros rirem. De como as pessoas se sentiam muito bem ao meu lado.
Duas conclusões podem ser feitas; sou totalmente nostálgico e humano escrevendo. Não aceito desligar meu cérebro e navegar junto com todos os marinheiros monótonos. Isto não pode me bastar, me prejudicar. Mas é uma batalha árdua e com uma pitada do meu dom para novela mexicana, torna-se mais complexo.
Como gosto de perguntas reflexivas, termino o texto com esta aos meus queridos leitores: Estamos nos camuflando demais vivendo uma vida complicada ou exageramos tornando-a mais complicada do que realmente aparenta?
Eu passei grande parte da minha existência teimando em ser otimista a qualquer custo, nada me abatia, até que percebi que realmente não é possível viver no mundo dos sonhos, a vida nos cobra, então veio a INQUIETUDE, a necessidade de me ausentar, me senti paralisada, já não havia graça em fazer os outros rirem, cheguei ao ponto de “eles têm que me aceitar como eu sou (ou como estou?!), não tenho a obrigação de ser positiva o tempo todo” (embora eu estivesse pendendo com afinco ao negativismo, as pessoas não estavam acostumadas com isso!) mas notei que ou eu entrava na dança ou viveria só, isto não dou conta.
ResponderExcluirEntão constatei que eu estava exagerando, achando a vida mais complicada do que ela é. Agora sabe o que penso: Não tem jeito, minha essência, meu jeito de ser pertence ao mundo do sonho, da liberdade, ás vezes venço a inquietude pela religiosidade, biblicamente falando, me projetando para o futuro, apenas um recurso pessoal, sem o qual eu não veria mesmo sentido na vida.
Minha vida é feita de fases: Me camuflo vivendo uma vida complicada ou exagero tornando-a mais complicada do que realmente aparenta.
Vivo assim (ou pelo menos tento!):
Dare to Live (Vivere) Part. Andrea Bocelli
Try looking at tomorrow not yesterday
And all the things you left behind
All those tender words you did not say
The gentle touch you couldn't find
In these days of nameless faces
There is no one truth but only pieces
My life is all i have to give
Dare to live until the very last
Dare to live forget about the past
Dare to live giving something of yourself to others
Even when it seems there's nothing more left to give
Ma se tu vedessi l'uomo
Davanti al tuo portone
Che dorme avvolto in un cartone,
Se tu ascoltassi il mondo una mattina
Senza il rumore della pioggia,
Tu che puoi creare con la tua voce,
Tu, pensi i pensieri della gente,
Poi, di Dio c'e solo Dio.
Vivere, nessuno mai ce l'ha insegnato,
Vivere, non si può vivere senza passato,
Vivere è bello anche se non l'hai chiesto mai,
Una canzone ci sarà, qualcuno che la canterà
Dare to live searching for the ones you love(Perché, perché, perché, perché non vivi questa sera?)
Dare to live no one but we all
(Perché, perché, perché, perché non vivi ora?)
Dare to live until the very last(Perché, perché, perché la vita non è vita)
Your life is all you have to give (Perché)
non l'hai vissutaVivere!
Dare to live until the very last
(Perché, perché, perché Ia vita non è vita)
Your life is all you have to give (Perché)
non l'hai vissuta mai
I will say no (I will say yes)
Say dare to live
Dare to live
Sil, desculpe a demora em responder o comentário. É sempre prazeroso ver que você arranja um tempinho para verificar meu blog; é importante saber que há leitores. Afinal, todos nós precisamos de incentivos, não é?
ResponderExcluirSobre o post, sim, é meramente impossível estampar um sorriso na cara sete dias na semana, todo o tempo. Mas conforme vivemos, adquirimos experiência e ponderamos nosso comportamento em certos ambientes, aprendendo a camuflá-los para o meio exterior que além de muita força, exige postura. Acho que o ponto fraco é nós misturarmos essa camuflagem "profissional" - assim dizendo - com a nossa imagem pessoal. Somos treinados e educados para lidar com inúmeras situações complexas, entretanto sofremos aversão com coisas simples; porque já ficamos desacostumados. Esquecemos de trocar os fusíveis! Realmente é isso que anda faltando, principalmente em cidades que exigem muito em pouco tempo - como é o caso de São Paulo. Difícil? Claro que é. Mas mais difícil é manter-se camuflado sempre, porque o indivíduo acaba perdendo-se dentro de si. Tudo passa a ser programado, aí é que entra o tópico de "Muitos respiram, poucos vivem". Mas isso é outra história!
Um grande beijo!