segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Homem

Havia um homem bastante comum aos olhos de quem o via. Sabia conversar mas não sabia como dizer alto suas palavras de ordem e afeto. Gostava de sonhar, imaginava-se debaixo de uma árvore e o vento batia em sua face, brincava com o fluído suave das folhas sobre sua feição triste.
Criava metáforas com a pessoa que planejava um dia amar. Através do silêncio no abraço na cama quente entre corpos ou num passeio entre as ruas frias de sua natal megalópole.
O homem estava sozinho. Oh sim, sentia o vazio percorrer suas veias como entranhas que se remoem satisfeitas na escuridão. Ele não se lamenta de seus erros, pelo contrário, adora-os por saber que adquiriu experiência neles. Mas ele sente a solidão e clama de um lado ao outro em madrugadas mal dormidas: Quando isso acabará?
A sensação de que você é frágil e impecável, onde seu peito queima a chama mais intensa de saudade e felicidade que te faz sorrir de bobeira. Te deixa na beira da ladeira, tolo e completo. A sensação que nos faz sentir o último dos pecadores e o melhor dos vencedores sobre asas gloriosas de uma fênix renascida das cinzas. O sentimento venenoso e cheio de antídoto. Mas ele está só, ele é só. Lamenta por isso, novamente; se pergunta onde é que foi parar este sentimento que não cai em seu coração já cicatrizado e pronto.
Agora o homem fica de pé em frente a mesa e começa a pensar e andar inquieto, eu o observo com curiosidade e intriga, desde início com este circo de ciclo rotineiro e só. Só.

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